12.3.04

A história e as histórias de 7 gatinhos. Digo, 8... não, 9... hmmm, 13?*

(tradução simultânea)

Branca estava pensativa no canto da sala. Seu olhar era enigmático e quase impossível saber quando tal estava feliz, triste, nervosa, calma. Expressão serena e um tanto sombria. Era sempre assim.
No sofá, Siameisão olhava... para o nada. Seu sono era constante e só pensava que aquele conforto do pulguento acento era uma das maiores maravilhas na grande casa sem muito conforto. Não que o apartamento da Glete fosse um chiqueiro, muito pelo contrário. Mas existiam poucas possibilidades de aconchegos já que eram poucos móveis para descanso animal e o quarto do Francisco sempre ficava de portas fechadas, exatamente para que os gatos não entrassem e fizessem a bagunça habitual ou deixassem o colchão cheio de pêlos. Então, sobrava o quarto do casal Bin & Feibous.
De repente, não mais que repente, Careca aparece num pique, correndo afobado da cozinha, batendo em todas as paredes possíveis, numa empolgação infantil – ora, careca tinha uns pouquíssimos anos e era o caçula da família felina -, e, quase sem fôlego, começa a gritar na sala. Ele tinha um plano para entrar no quarto de Francisco, mas pra isso, precisava da ajuda de Branca e Siameisão. Ofegante, Careca tenta falar:

- Miau, ... miau ... miau ... miau ... miau ... miau ... miau ... miau ... miau ... miau ... miau ... !
(Pessoal, ... tenho ... uma ... idéia ... magnifica ... pra ... entrar... no ... quarto ... do ... magrelo... !)

Branca lava as patinhas e confere se a unha está limpa, Siameisão se dá o trabalho de abrir um olho, deitando de barriga pra cima e, de cabeça pra baixo, observar Careca – ele adorava dormir assim. Bin dizia que ele parecia um peixe, daqueles bem grandes, pelo formato e por ser tão gordo. É bem verdade que eles estão cansados de tentar entrar no quarto do barbudinho e serem chutados logo em seguida, portanto, não acreditam que mais uma idéia “magnifica” possa surgir. Mas Careca insiste:

- Miau, ... miau miau!
(Sério, ... prestem atenção!)

Os outros dois olham, com certo descaso, e Careca continua:

- Miau miau miau miau: Miau miau miau miau miau miau miau miau miau, miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau. miau miau, miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau, miau miau miau miau! Miau...(A idéia é essa: A fechadura do quarto do magricelo é muito ruim, fácil de abrir e o cara é um puta folgado que está aqui há 1 ano e nada fez pra arrumar. Aproveitando isso, tem-se a favor que ele foi viajar e pelo que ouví, voltam daqui 5 dias! Então...)

- Miau miau miau?, pergunta o sedentário gatão.
(Então o quê?)

- Miau miau miau, miau miau miau miau, miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau, miau miau, miau miau. Miau, miau miau miau miau miau miau miau miau, miau miau miau miau miau miau, miau miau miau.
(Então que se, a gente fizesse pézinho, o Siameisão que é mais forte faz pésinho pra branca, e aí, subo nela. Assim, abro a porta tranquilamente e depois que entrarmos, seguiremos o mesmo procedimento pra fechar, com muito cuidado.)

- Miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau!, Complementa Branca, com ar de sarcasmo.
(Mas aí o Bin vai querer entrar no quarto pra pegar o roupão rosa que ele tanto gosta!)

- Miau! – complementa Careca -, miau miau miau miau miau! Miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau, miau, miau miau miau miau miau, miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau.
(Sim, mas aí é que está! O Siameisão gosta de dormir no chão geladinho pra esfriar a pança, então, ele dorme atrás da porta, segurando com seu peso e ainda aproveita pra tomar um arzinho que vem da fresta de baixo.)

Siameisão gosta da idéia e Branca acha que é possível. Ela nunca entregaria os pontos, mesmo que achasse a idéia brilhante, e claro, nunca mudaria de expressão, mas topou.
Assim que Bin & Feibous saíram para seu programa noturno de cinema, os três esperaram a garantia de que ninguém voltava e foram ao trabalho. Primeiro Siameisão, em passos clássicos, quase um Fred Astaire obeso, segue até a porta. Devagarinho, Branca vai atrás e num olhar, sobe no gordão. Fazendo pézinho para ela e, em posição, a base gorda faz um aceno para Careca que, na sua afobação habitue, venha correndo, suba nos dois e abra a porta.
Feito! Estavam dentro do paraíso. Tinham cama, travesseiro, cesta de revista quentinha para dormir e o principal: Prateleiras! Eles adoravam brincar nas prateleiras. Assim que entraram, os olhinhos dos 3 brilharam, como num desenho animado japonês. Fecharam a porta e, num súbito de loucura, começaram a brincar de pega-pega pelo quarto. Era a alegria no êxtase da gataiada. Eles dominaram o território inimigo e poderiam fazer o que quiser!
Só que a brincadeira durou pouco. Enquanto estavam brincando no colchão e no chão, tudo bem. Porém, Careca - sempre ele, o desastre em gato -, resolveu subir na prateleira mais alta, que ficava em cima de outra e ambas, cheias de livros. A parede do apartamento da Glete era frágil e Branca e Siameisão já haviam percebido esse defeito, mas era tarde... nem deu tempo de Branca completar seu “MIA... u!” (NÃ... o!). Caiu uma prateleira, caíram duas prateleiras. O rombo estava feito na parede de areia do quarto e Careca, criança assustada no chão, apenas repetia: “Miau miau miau! Miau miau miau!” (Eu não sabia! Eu não sabia!).
Na hora Siameisão com sua voz de controle da situação, manda todos saírem do quarto e deixar do jeito que está.

- Miau miau miau, miau, miau miau miau! Miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau miau...
(Você é foda, Careca, você é foda! Ainda bem que ninguém viu e ninguém sabe o que aconteceu naquele quarto...)

Ou melhor, quase ninguém viu...
Quando os 3 idiotas entraram no quarto, não fecharam a porta direito e com um vento ela abriu, porém com a bagunça não perceberam. Mas, com tamanho barulho mal eles poderiam imaginar que um gato estava em um canto escuro, apenas observando, escondendo sua face assustadora, zarolho, faltando os dentes da frente, sem um pedaço da boca e manco. Gato esse que poderia mudar todo o rumo da história...

Continua...

*plagiado da Letícia porque eu gostei MUITO dessa frase!

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